Comportamento Humano (S06E06)

 Sera que você esta ouvindo este podcast pois fatores de sua criação, a sociedade em que você vive e diversas interações químicas na sua cabeça o determinaram a este rumo?

Saiba mais sobre o comportamento humano com a participação especial de Jean Luca Lunardi Laureano.

 Programa gravado em 03/04/15.

 
Arte por: Matheus Lunardi

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E aconselhamos o uso de fones de ouvido para escutar os programas.

ROCK 1 –  Iron Maiden – Can I Play With Madness

    • Watson criador do behaviorismo
    • três níveis de Skinner
    • Neurociência
    • Bioquímica

ROCK 2 – The Killers – Read My Mind

    • Comportamento verbal
    • Relação entre comportamento humano e comportamento animal
    • Música e o comportamento humano
    • Violência

Rock 3 – Legião Urbana – Faroeste Caboclo

 

 

Links úteis:

Baratas possuem personalidade?

http://www.reuters.com/article/2015/03/10/us-belgium-cockroach-personalities-track-idUSKBN0M614H20150310

Cachorros sabem quando você esta mentindo:

http://www.sciencealert.com/dogs-know-when-you-re-lying-to-them

Lobos cooperam, cachorros são submissos:

http://news.sciencemag.org/brain-behavior/2014/08/wolves-cooperate-dogs-submit-study-suggests

A Liga:

Perguntas:

Rock com Ciência: É possível o ser humano viver sozinho? No caso, optar por isso, já ter o “gosto” da vida social e optar por viver sozinho, ou o ser humano é uma criatura que precisa viver em uma sociedade ou grupos familiares?

Jean Luca Lunardi: Primeiramente, precisa-se colocar em questão o que seria viver sozinho. Alguns relatos de “meninos selvagens” encontrados, como o de Victor Aveyron, fazem com que os cientistas questionem alguns pressupostos gerais. Seguindo o pensamento da filosofia behaviorista, amparada por sua ciência, a análise do comportamento descrita por Skinner, percebe-se algumas particularidades que fundamentam o ser humano e questionam algumas percepções de que o homem só sobrevive no convívio com outros homens. Considerar o homem como um organismo, dentre do reino Animalia é submetê-lo a uma condição que foge de todo e qualquer idealismo, seja ele filosófico ou teológico. Aqui, o que entra em questão é como o organismo homem se comporta em um contexto fora do convívio com outros homens. Os casos de “meninos selvagens” encontrados fazem pensar que a condição de “humanização” é alcançada por meio de uma “socialização” no “mundo dos homens”. Ou seja, para que a grande diferença entre o comportamento do homem e de outros animais, o comportamento verbal da “fala”, venha a ocorrer, é necessário o convívio com outros homens. Porém, como um organismo, é claramente possível que o ser humano consiga viver sozinho nesta condição, sem a fala. Agora, se considerarmos uma tradição filosófica que só consegue entender o homem a partir de um processo necessário de humanização com outros homens, então este organismo será somente organismo, demonstrando a dificuldade do pensamento tradicional de se livrar de duas grandes concepções acerca do homem, a da liberdade e a da dignidade, que são amplamente discutidas por Skinner, principalmente em Beyond freedom and dignity (1971). O behaviorismo vai buscar entender como os comportamentos de Victor são determinados pelo meio. Qualquer consideração como a de “ter o gosto” da vida social cinde com a interação contínua entre ambiente e comportamento. O que foi exposto da história de Victor se deu a partir de uma história ontogenética bem inicial de um indivíduo. O mesmo pode ser buscado para compreender o comportamento de, por exemplo, monges que se “isolam” pra meditar. Porém, não devemos nunca esquecer como o nível cultural, em relação ao monge, é vital na compreensão das contingências de reforçamento do comportamento de “se isolar”. Fazendo uma comparação com Zaratustra, o profeta criado por Nietzsche, percebe-se que não basta se isolar e “alcançar o conhecimento”, mas sim que estes diversos comportamentos relacionados ao meditar em isolamento são para serem compartilhados com os outros. Podem ser percebidos nesta questão possíveis reforçadores sociais.

Rock com Ciência: O racismo a xenofobia e o preconceito estão mais relacionados a um grupo de pessoas (como uma família ou tribo) ou a cultura de um país? Será que essas formas de “ódio social”, se puder ser colocado desta forma, são relacionadas a um grupo especifico de pessoas que tem algo em comum ou é uma coisa mais generalizada?

Jean Luca Lunardi: Independentemente da condição quantitativa do grupo, ou seja, um grupo pequeno (família ou tribo) ou um grupo maior (país) são as contingências de reforçamento que irão determinar as classes de comportamento entendidas como racismo, xenofobia ou preconceito. Por classes podem-se entender os diversos comportamentos que irão se enquadrar em uma categoria como racismo, tais como agredir físico-verbalmente um indivíduo de uma etnia diferente, não responder quando um indivíduo de outra etnia tenta se comunicar com você, etc. O “ódio social” deve ser compreendido pela mesma perspectiva, e nunca como algo inato do ser humano, para não cairmos em considerações totalitárias que se colocam como detentoras da verdade absoluta. Discursos como estes podem ser encontrados em muitos períodos da história, sendo o nazismo um grande representante.

Rock com Ciência: no caso do ser humano, somos afetuosos com outros seres humanos por que :

(A) Somos naturalmente bons;

(B) Queremos algo em troca;

(C) Nossa história da espécie, assim como a individual e a cultural determinam a classe de comportamento “afeto” (educação e/ou religião);

Jean Luca Lunardi: Em relação ao ser humano, somos afetuosos com outros seres humanos, pois: A) Somos naturalmente bons B) Queremos algo em troca C) Nossa história da espécie, assim como a individual e a cultural determinam a classe de comportamento “afeto” (educação e/ou religião) R: A primeira alternativa (A) cai em um discurso que foge das considerações de uma filosofia behaviorista, na medida em que considera o comportamento apartado de seu ambiente. Considerar o homem naturalmente bom é afirmar que, mesmo com todas as determinações ambientais, o homem pode superar sua condição e transcender para um lugar quase mítico. Isto só se afasta das considerações científicas e não trazem entendidos produtivos para a compreensão do homem. Em relação à alternativa (B), pressupõem-se que o comportamento é determinado por suas consequências, o que é algo que está de acordo com os pressupostos behaviorista. Cabe só entender melhor o que se quer dizer por “queremos”. Se esta palavra considerar um sujeito autônomo que se comporta de forma “livre”, que tem uma “vontade livre”, não sendo determinado pelas contingências, então é uma afirmativa que não está de acordo com o behaviorismo. O “querer” aqui deve ser buscado a partir de uma história de seleção pelas consequências, (alternativa C) trazida por Skinner, como influência da seleção natural de Darwin, porém em diferentes níveis de análise. Assim, assim como as histórias ontogenética e cultural, cabe olhar como repostas emocionais e, talvez colocadas como “fraternais”, podem ter sido importantes no processo de seleção natural. Tanto a alternativa (B) quanto a (C), se fundamentadas, podem estar corretas.

Rock com Ciência: Por que tem pessoas que sentem prazer por fazer, o que em uma sociedade como a nossa, é considerado maldade?

Jean Luca Lunardi: A própria questão da maldade deve ser entendida de maneira relacional. O que se enquadra como maldade em uma cultura X pode não ser em uma cultura Y. Desta forma, algum comportamento que se enquadra nesta categoria pode não ser “condenado” em um contexto diferente. Talvez um caminho interessante para entender esta questão seria um entendimento do que vem a ser a Ética. Como bem colocado pelo professor Clóvis de Barros Filho da USP, qualquer apreensão da ética como uma tabela definida de comportamentos ditos “adequados” poderá ser superada a qualquer momento, visto a dinamicidade da nossa sociedade.  Assim, um caminho favorável é colocar em discussão as problemáticas que vivemos atualmente e que, neste exemplo da pergunta, passariam pelo fenômeno da “maldade”. Também seria necessário questionar quais seriam as contingências de reforço que estão mantendo determinados comportamentos desta classe e como proceder eticamente frente a estas contingências. A resposta seria: modificar ou não o comportamento humano. Se a resposta for positiva, perguntar-se-á: Como? A filosofia (behaviorismo) e a ciência da análise do comportamento podem trazer algumas respostas para estas questões.

 

 

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